Circular Pocket

Deb and The Mentals faz show em Maringá neste sábado

08/09/2017 | Texto: Rafael Pinto Donadio | Foto: Divulgação

Compartilhe

Depois de dois anos da gravação do primeiro EP, a banda paulistana Deb and The Mentals vem à Maringá pela primeira vez para apresentar o primeiro full album da carreira, “Mess” (2017), na 5ª edição do festival Stolen Fuzztival que acontece amanhã, a partir das 18h, no Armazem do Jô.
O grupo, formado pela vocalista Deborah Babilônia, o guitarrista Guilherme Hypolito, o baterista Giuliano Di Martino e o baixista Stanislaw Tchaick (Bi), traz nos dois trabalhos a essência do rock garagem, um rock cru com letras em inglês que remetem imediatamente aos anos 1990: Nirvana, Sleater Kinney, Hole, L7.
E a influência dos anos 1990 não se limita apenas às músicas. O logo da banda, por exemplo, é uma espécie de releitura de símbolo da MTV. O próprio vídeo clipe da faixa-título do disco, “Mess”, dirigido e idealizado pelo baterista Di Martino, segue a linha de muitos vídeos do antigo canal, que na maioria das vezes era assistido com chiados e qualidade duvidosa, por não ser um canal aberto em muitas cidades.
E o visual dos integrantes também traz essa influência. Quem acompanha o quarteto nas redes sociais pode ter a impressão que voltou um pouco no tempo. Mas os quatro apenas bebem dessa fonte, porque as 11 canções são bem atuais e trazem participações de artistas contemporâneos e muito atuantes na cena do rock autoral nacional.
Entre eles, Rick Mastria (atual Dead Fish, ex-Sugar Kane) e Rafael Brasil (Far From Alaska), do baterista André Dea (do Sugar Kane e Nevilton, ex-Vespas Mandarinas) e da baixista Alê Briganti (Pin Ups). As gravações aconteceram no estúdio Costella, em São Paulo, com produção de Alexandre “Capilé” Zampieri (vocalista e guitarrista de Sugar Kane e Water Rats).
Todas as composições são de Deborah, exceto “Invisible Twin” (Capilé), “Music Says to Me” (Chuck Hypolito, do Forgotten Boys) e “Let You Down” (Anderson Foca, da Camarones Orquestra Guitarrística/The Sinks). Todas tiveram a ajuda do já considerado quinto integrante, Capilé, nas estruturas.
Deb and The Mentals toca Stolen Fuzztival ao lado de outras nove bandas: Fusage (Maringá), Comsequencia (Maringá), Ruínas de Sade (Brusque, SC), Camarones Orquestra Guitarrística (Natal, RN), Water Rats (CTB/SP), Nevilton (Umuarama), Stolen Byrds (Maringá), Red Mess (Londrina) e Corona Kings (Maringá).
Entre todas as viagens e tours que a banda está fazendo pelo Brasil, trocamos alguns e-mails com Deborah e Di Martino. Os dois, já “pilhados” para o show, falaram um pouco da presença dos anos 1990 na banda, formação do quarteto, shows e algumas ideias para o futuro.
 
- Como aconteceu a formação da Deb and the Mentals?
Deborah: Eu estava com algumas músicas paradas em casa e louca para montar uma banda e então Bi e Capilé me chamaram na casa deles para estudarmos as músicas. Depois disso chamamos o Giuliano (Di Martino) e Guilherme (Hypolito) e gravamos um EP no (Estúdio) Costella, as coisas foram bem rápidas. Neste ano, com a banda mais sólida, gravamos nosso primeiro full álbum.
 
- Com integrantes com 22, 25 e 33 anos, como exatamente a influência dos anos 1990 chegou a banda, já que nem todos viveram intensamente (a juventude) a época? A influência dessas décadas vai além da música?
Deborah: Em Brasília (Deborah é brasiliense) não pegava MTV no canal aberto, então eu conhecia as bandas que meus amigos mostravam. Trocávamos discos, fitas gravadas. Eu tinha duas amigas metaleiras no meu prédio que tinham TV fechada e então eu assistia MTV com elas. Elas tinham muitos discos e às vezes fazíamos disputa de quem conseguia cantar igual ao Max Cavalera ou músicas inteiras do Metallica. Eu era bem novinha e elas mais velhas, então eu tinha que estudar bem as bandas para acompanhá-las (risos). Mais tarde eu mergulhei no grunge, um amigo meu emprestava fitas de vídeo com clipes que gravava da MTV com bandas como Nirvana, Hole, Garbage, Sonic Youth... aí ferrou! Achei minha "gangue".
Di Martino: descobri clipes de metal e tirei toda a nossa estética quando assistia a MTV, chiada, no canal 32, porque não tinha TV a cabo. Mas mais que isso, essa influência não é só na música. Creio que o jeito que nos vestimos vem todo dessa época. A moda é cíclica, né? As coisas voltam. E a moda é totalmente interligada com a música e subculturas. Isso é incrível. Muito da nossa estética também vem do skate old school e da cultura punk dos anos 70 e 80, mas creio que tudo isso aí desemboca nos anos 90.
 
- Dando nomes aos bois, que bandas mais influenciam a Deb and the Mentals?
Deborah: Clichê porém unânime: Nirvana, com certeza. Janis Addiction, Sonic Youth, Pixies, Faith No more... Atualmente, nas viagens, estamos escutando Nine Inch Nails e discos antigos do Radiohead.
 
- Em entrevista para o IG, Di Martino afirmou que o rock está voltando a ser grande e que “tem uma nova onda de new wave, de garage rock, muito boa”. Poderiam citar algumas dessas bandas?
Deborah: A Burger Records é uma gravadora que reviveu o garage rock, a maioria dos discos são bem LO-FI e barulhentos. Ty Segall, King Tuff, Thee Oh Sees, Colleen Green também são nomes que me chamam atenção nessa cena.
 
- Depois de dois anos do lançamento do EP “Feel the Mantra” vocês lançaram o disco “Mess”. Como foi o processo de composição do disco?
Di Martino: Foi um processo tranquilo. Acho que por isso demorou. Fizemos tudo com calma para deixar do jeito que queríamos. Capilé gravou nossas prés, estudamos, ensaiamos, testamos as músicas ao vivo, e na hora de gravar estava tudo lindo. O instrumental mesmo, foi gravado em 2 dias. A voz que demorou mais, Deborah grava tudo bem relax, tudo meio hippie (risos). E Capilé mixou tudo até gostar. Fez com muito amor mesmo. Aliás, tudo nesse álbum foi feito com muito carinho. Foi muito bom de fazer.
 
- Você (Deb) disse em entrevista ao site/revista Noize, sobre a faixa-título do disco, “Mess”, “eu não fazia ideia de que seria o nome do disco, mas quando decidimos que esse seria o título combinou perfeitamente com toda a ideia do álbum”. Qual seria “toda a ideia do álbum”?
Deborah: As 11 músicas do disco não seguem uma linha de raciocínio. Cada uma fala sobre um assunto diferente. Uma hora você está escutando Bleeding (música que abre o disco com gás total), depois Do it Now (canção num estilo mais da banda norte-americana L7) e mais pra frente Evil Sea (balada que fecha o álbum).
 
- Existe uma escolha de compor em inglês ou é algo que acontece, é natural? As pessoas pegam no pé por isso? 
Deborah: Sempre tem alguém questionando sobre. Mas respondo que estou sendo real comigo mesma, a maioria dos artistas e bandas que escuto são em inglês. Acredito que as pessoas são livres para se expressarem da maneira que elas quiserem, se fica à vontade cantando em outra língua, porque essa foi a maneira que ela se achou, qual o problema? Recentemente alguém mostrou para mim uma banda que o vocalista cantava em uma língua que não existe, que ele criou. Melodias de voz lindas e aquilo bateu em mim, por exemplo. Achei genial.
 
- Existe algo planejado para um futuro próximo, além das viagens e turnês? 
Deborah: Já estamos pensando no próximo disco, testando algumas coisas em estúdio. E claro ainda focando em tours, tocar em festivais para divulgarmos o disco deste ano e nos divertirmosclaro. 
 
- O show da Deb and The Mentals sempre é falado com menção à apresentação da Deb, interativa e agitada. Para você, Deb, o que significa estar ali, no palco?
É muito forte para mim, parece que desce um espírito (risos). Não sei explicar muito bem. Me sinto em casa, me relaxa. É a melhor sensação da minha vida.
 
- Vejo pelas redes sociais que vocês têm amizade com os maringaenses do Corona Kings e tocaram muitas vezes juntos. Talvez já tenham ouvido algo sobre a cena de Maringá. O que esperam para esse primeiro show aqui?
Giuliano: Sempre quisemos tocar em Maringá. Eles falam muito bem da cidade. Conhecemos os Stolen Byrds por isso também. Muitas pessoas de Maringá tem falado conosco nas redes. Disseram que estão animados. Para nós é sempre incrível tocar em um lugar que nunca tocamos, porque tem aquela sensação "frio na barriga". Na real, para nós é sempre incrível tocar em qualquer lugar. Gostamos muito. Ficamos muito animados desde a hora de carregar o carro, até a hora de tocar. 
 
- E o que vocês poderiam dizer aos maringaenses, o que eles podem esperar do show da Deb and the Mentals?
Giuliano: Estamos bem pilhados para esse show, espero que seja uma experiência incrível pra todos, assim como será pra nós.


 

GOSTOU? AQUI TEM MAIS!