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Fusage lança álbum de estreia e chega barulhento ao Stolen Fuzztival

09/09/2017 | Texto: Rafael Pinto Donadio | Foto: Divulgação

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Apesar da brincadeira ao dizer a idade dos integrantes da Fusage, “mental ou física?”, Douglas Takazono e os outros três maringaenses que integram o grupo parecem saber muito bem o que estão fazendo, embora a banda tenha apenas um ano de formação e os músicos variem entre 22 e 28 anos.
Um bom exemplo dessa maturidade de Douglas (vocal/guitarra), Diogo Rozada (guitarra), Luiz Miguel (baixo) e Christian Silva (bateria) é o primeiro álbum do grupo, “Age of Fuzz”, lançado no último dia 31. Um som que não deixa nada a desejar a outras bandas de rock da atualidade. Stoner rock com influências que variam muito entre o quarteto. Vai desde o reggae até o funk groove setentista, do rap ao punk, do samba-rock ao metal, de Josh Homme a Jorge Ben Jor.
Tudo recheado com psicodelia, a começar pela capa do trabalho, e “uma forte influência de ensinamentos espirituais do oriente, mensagens sobre meditação, despertar da consciência, liberdade individual, mas também da contra cultura dos anos 1960/1970”. Tudo junto, misturado nas dez músicas do disco.
A produção foi feita pela própria banda e Haroldo S. Rickli. As gravações aconteceram no estúdio de Haroldo, Estúdio H., em Maringá, e ele também ficou responsável pela masterização e mixagem do álbum.
E nada melhor que divulgar o recém-lançado trabalho de estreia na edição especial do Stolen Fuzztival, que acontece hoje, a partir das 18h, no Armazem do Jô. Uma banda extremamente nova, mas que chega fazendo barulho entre nomes já mais consagrados da cena independente nacional, como Camarones Orquestra Guitarrística, Nevilton, Deb and The Mentals e outros seis que se apresentam no festival.
Para saber um pouco mais sobre o grupo, a formação, influências, produção do disco e composições, conversamos com o vocalista e guitarrista, Douglas.

- Como e quando vocês formaram a banda?
A banda começou sem mesmo ter uma banda. Eu e o Diogo (Rozada) tivemos um projeto cover, mas sempre gostei de compor desde a adolescência, e chegou um momento, por volta de 2015, que eu quis juntar uma grana e gravar minhas composições. Fizemos algo parecido com o Desert Sessions (sessões experimentais de estúdio realizadas pelo músico norte-americano Josh Homme, que tem participação de diversos músicos), foram mais de 20 pessoas que contribuíram para arranjos e ideias dentro do estúdio. Ao final deste processo, a formação atual acabou sendo a que melhor correspondia às necessidades do projeto e formamos a Fusage, isso em agosto de 2016.

- Quais são as principais influências da Fusage, musicalmente falando?
O Diogo tem muita influência do punk e hardcore californiano, além de um pé bem firme no psicodélico. O Luty (Luiz Miguel) ouve muito rap, hip hop e bastante stoner, funk groove setentista. O Christian (Silva) é um caso a parte, ele é professor de bateria e ouve todos os estilos que você pode imaginar, mas para a Fusage o que predomina é a influência do Eloy Casagrande e das bandas de metal que ele gosta. Eu ouço muito stoner, psicodelia, rock setentista, soul e funk, e punk dos anos 90, mas gosto demais de reggae raiz, Jorge Ben Jor, Tim Maia.

- E saindo um pouco da área musical, o que influência as músicas de vocês, outros tipos de arte, cotidiano?
Existe uma forte influência de ensinamentos espirituais do oriente, mensagens sobre meditação, despertar da consciência, liberdade individual, mas também da contracultura dos anos 1960/1970. O Luty, por exemplo, estuda publicidade e propaganda, então as artes visuais têm muito peso na forma como refletimos nosso som, essa influência acaba chegando no resto da banda com força.

- Como costumam surgir as composições? Existe um processo para isso ou simplesmente acontecem?
O disco é um misto de músicas que eu já havia feito com músicas que surgiram na fase de pré-produção, dentro do estúdio. Geralmente alguém tem um riff e nós começamos brincando em jams e evoluindo de uma forma bem natural, trocando ideia, todos dão um pitaco aqui e ali. Tentamos nos aproximar ao máximo do que a música nos pede em questões do conceito do som, da mensagem que a própria música passa e então amadurecemos as melodias, letras e arranjos nesse sentido.

- Sobre “Age of Fuzz”, qual o conceito do álbum? Como surgiu o nome? Fale um pouco sobre o disco.
Como a maior parcela de influência do disco vem do stoner e em todas as músicas existe a presença marcante do fuzz (pedal de distorção), achamos natural que o conceito e o nome do álbum seguisse algo nessa linha. A primeira ideia era “The Fuzz Age” em uma alusão até ao nome da banda, que apareceu da junção da palavra “fuzz” com a palavra “age”, numa abrasileirada nossa. Quando estávamos na fase de finalizar a arte da capa, nosso amigo e artista Pedro Lot sugeriu que chamássemos o álbum de “Age of Fuzz”, e compramos a ideia, era um nome mais legal. “Age of Fuzz” seria a idade do rock pesado arrastado, alusão ao stoner e sua principal característica (uso do pedal fuzz). Quem ouve o disco do começo ao fim percebe o quanto as músicas são diferentes entre si, tanto no conteúdo como na sonoridade, mas ao mesmo tempo, o trabalho tem um denominador comum, o jeito de cada um tocar seu instrumento e se expressar. Para nós, o Age of Fuzz celebra uma era de independência, é a nossa contribuição para a cena que está se fortalecendo não só no Brasil, mas no mundo inteiro.
O disco surgiu de um sonho de registrarmos nosso som. Na época em que as composições estavam nascendo eu estava entrando no universo stoner de cabeça. Como o João Manoel (Stolen Byrds) uma vez comentou “era o som que eu precisava ouvir”. A ideia inicial não tinha uma definição, não tinha que ser isso ou aquilo, a gente só queria fazer um som que nos orgulhasse, soasse como as músicas que gostamos de ouvir e ao mesmo tempo que fosse a nossa casa. Começamos eu e o Diogo, gravando em casa, levando como dava. Depois de uns 7 ou 8 meses rodando pela cidade em ensaios e shows “caçando” o que seria o resto da banda, nós concluimos que seria necessário começar mesmo antes de ter uma banda propriamente formada. Foram vários amigos e pessoas que conhecemos durante esse processo no estúdio, e por fim, tínhamos as 10 músicas que gostaríamos de trabalhar e finalizar.
 
- Teve alguma influência musical específica para esse álbum?
Acho que no início do processo o que mais nos influenciou foram as bandas de stoner e rock alternativo que eram consagradas. As principais foram Kyuss e os demais projetos do John Garcia, Queens of the Stone Age, Foo Fighters, a cena grunge, a cena dos anos setenta e por aí vai. Mais para o final, as influências que estavam mais evidentes eram as bandas da cena nacional, Muñoz, Red Mess, Corona Kings, Stolen Byrds, Overfuzz.

- Como tem sido a repercussão nesses poucos dias do primeiro lançamento da banda?
Ao mesmo tempo que foi uma surpresa a velocidade com que chegamos na cena é muito claro para nós quatro o quanto ainda precisamos caminhar e conquistar nessa jornada. Recebemos muitos elogios de pessoas que sempre admiramos, até mesmo de gente que achávamos que não ia se interessar pelo trabalho. Toda semana surge alguém querendo falar sobre o disco, organizar algum show, fazer as paradas junto.

- Como vocês enxergam a cena de Maringá e região para o stoner rock?
Maringá já é um ponto importantíssimo do circuito independente, não só do stoner. Estamos extremamente empolgados com a projeção que existe na cidade. São muitos músicos, artistas e pessoas relacionadas a cena de forma direta ou indireta, querendo fazer acontecer. Já temos festivais que contam com artistas do país inteiro e do exterior, bandas de altíssima qualidade e profissionalismo. E isso tudo não só dentro do stoner, mas no metal, no punk, rap, no funk e soul, no mpb e música popular em geral e etc.

- Qual a expectativa para o Stolen Fuzztival?
Nós sempre apoiamos e admiramos a iniciativa da rapaziada do Stolen Byrds. Esses caras são grandes, têm ideias grandes e querem levar todo mundo com eles. E nós também queremos ir junto (risos). Nos sentimos muito sortudos de participar dessa edição especial, que conta com nomes de peso no cenário, é um privilégio que gostaríamos que as pessoas entendessem, tivessem a noção do tamanho de tudo o que está acontecendo. No mais, queremos mostrar pra todo mundo o que é a Fusage e de quebra nos divertir e divertir quem estiver por lá.

- Já existem planos para o futuro da banda?
Sim! Estamos em fase de divulgação do álbum, queremos viajar o máximo que der. Além disso temos ideias para gravação de um clipe, queremos registrar as músicas ao vivo e lançar um single novo antes do final do ano. 


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