Circular Pocket

Leia Mulheres em Maringá

26/07/2017 | Texto: Daniela Giannini | Foto: Divulgação

Compartilhe

Basta uma breve passagem de olhos nas listas de livros mais vendidos, na programação de grandes eventos ou nos nomes de vencedores de grandes prêmios literários para constatar que, assim como em muitos outros setores, a presença e a valorização da mulher na literatura ainda é muito menor que a do homem.

Segundo uma pesquisa feita em 2014 pela professora e pesquisadora Regina Dalcastgné, da UnB (Universidade de Brasília), o romance brasileiro é escrito, em sua maioria, por homens (72,7% dos autores) e sobre homens (62,1% das personagens são do sexo masculino). Os dados ainda mostram que, entre 1965 e 1979, as mulheres representavam apenas 18% do total de autores publicados no país e, atualmente, não chegam a 30%. Um bom exemplo local dessa realidade foi a última edição da Flim (Festa Literária de Maringá) que teve, entre os 19 autores convidados, apenas quatro mulheres.

Mas uma forma de resistência a esse comportamento está chegando a Maringá. A cidade vai sediar, no dia 12 de agosto, o primeiro encontro local do clube de leitura Leia Mulheres, uma iniciativa de alcance nacional com o objetivo de valorizar e incentivar o consumo e a produção da literatura feita por mulheres. A edição maringaense do projeto é uma iniciativa de duas mulheres aficionadas por livros: Estela Santos e Maria Almeida.

Editora do site Homo Literatus e mestranda em Estudos Literários pela UEM (Universidade Estadual de Maringá), Estela conta que a ideia de trazer o projeto para Maringá surgiu logo que elas conheceram a iniciativa pela internet.




“A literatura feita por mulheres é pouco lida e tem pouco espaço, até mesmo nas grandes editoras e grandes eventos literários. Um projeto como esse em Maringá é importante porque traz mais literatura pra cidade, incentiva o pessoal a ler e, claro, ler a literatura de mulheres. Essa literatura proporciona outras perspectivas, outras visões de mundo e, por vezes, faz críticas ao patriarcado e ao machismo presente em nosso cotidiano”.





Leia Mulheres
Foi a partir de uma iniciativa da escritora britânica Joanne Walsh - que em 2014 lançou no Twitter a hashtag #readwomen2014 - que Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henrique tiveram a ideia de criar um clube de leitura voltado à valorização do trabalho intelectual das escritoras. O projeto começou em São Paulo, em 2015, e hoje está presente em mais de 50 cidades em todo o Brasil. 

Leia Mulheres | Maringá
Em Maringá, as edições do clube serão mensais e de participação livre. Basta ler o livro indicado e comparecer ao local do encontro. Os livros serão escolhidos e votados a cada encontro pelos participantes, sempre escritos por uma mulher, de qualquer gênero literário, nacional ou estrangeiro. “A ideia é discutir o que cada pessoa achou do livro, o que viu ali de interessante e intrigante, num estilo mais roda de conversa, sem academicismos ou coisa do tipo”, finaliza Estela.




Livro: Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie (2003)
Data: 12 de agosto de 2017
Local: Vaca Louca Café Vegetariano | Av. Cerro Azul, 228, Loja 1 – Zona 2
Horário: 15h às 16h30



GOSTOU? AQUI TEM MAIS!