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Sollado lança novo álbum, homônimo

06/12/2017 | Texto: Rafael Pinto Donadio | Foto: Divulgação

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Disco marca um novo momento da banda maringaense, de celebração e transformação

Formada em 2010, em Maringá, Sollado lança nesta sexta (8) o segundo disco da carreira, com show no Porão Bar, a partir das 21h.

Com nove faixas, o disco “Sollado” consolida a mudança do nome da banda, que durante anos se apresentou como Sollado Brazilian Groove. O trabalho foi produzido pelo próprio grupo e gravado no Estúdio Mojo, com mixagem de Gabriel Moraes e masterização de Felipe Tichauer. O lançamento acontece pelo selo Maringá Original Balanço. 

A banda é formada por Valter Rosini (Vocal), Fernando Morete (violão e vocal), José Augusto (guitarra), Gabriel Moraes (baixo), André Lauer (bateria) e João Paulo (percussão) e contou, neste disco, com parceria de Claudio Caldeira (saxofone), Lucas Trabuco (guitarra) e Ricardo Martins (violão).

Em meio à banalidade das relações humanas, cada vez mais fragmentadas, o segundo trabalho da banda maringaense Sollado busca um novo momento de elo, transformação e celebração. 

Com olhos e ouvidos apontados para todos os cantos do planeta, o grupo se apropria das mais diversas referências e, com a simplicidade e o clima bucólico do Noroeste do Paraná, faz disso elos de uma gigante corrente. “Se todos podemos ser uma mesma coisa, em conjunto, por que nós vamos nos separar? Onde e qual a causa da gente se separar? Música, para nós, é uma forma de reconstruir esse elo entre as pessoas”, reflete Valter Rosini, o vocalista.

Tendo como ponto de conexão a Universidade Estadual de Maringá (UEM), “Sollado” celebra os sete anos de banda, com uma miscelânea de integrantes entrando e saindo da formação, sempre de maneira construtiva. “Todos esses que passaram pela banda, durante esses quase dez anos, são Sollado também”, aponta Fernando Morete, violonista e vocalista.

E não à toa o rock psicodélico estelar “A Procura Deste Som” está no álbum, celebrando a história e sinalizando o momento de transformação do grupo. “Ela é um elo do disco. É uma celebração do começo da banda, homenagem por todos que passaram por ela, com o momento atual, junto com uma certa busca de um novo som”, explica Rosini. Som que a banda continua buscando incessantemente. 

A ligação com o passado também está presente na primeira faixa do disco, “Para Todos os Efeitos”, que tem o título do disco anterior. Ao falar da corrupção, sujeira e impunidade, a música “Para Todos os Efeitos” se aproxima de “Nulidade”, do primeiro trabalho, além da reflexão sobre as conexões do homem com o mundo virtual. A canção inicial abre, também, caminhos para o presente, conectando-se com “Seres”, a faixa seguinte. 

Ouça o single "Gostaria de Saber".

O disco também traz reflexões sobre a relação destrutiva e nada consciente entre homem e natureza. São esses os temas do samba maquinado “É de Roubar a Sombra” e do forró punk “Terra Azul”. A última, composta por Morete após a tragédia de Mariana (MG), há dois anos. 

Com referências da música brasileira do começo ao fim, “Entre Buscas” traz uma pegada punk em sua essência. Dançante, com chamego e aconchegante, “Gostaria de Saber” foi o primeiro single da banda e, assim como “Flutuai”, reflete sobre a vontade e a tentativa de se viver sem a vigilância diária de um mundo virtual. “Se isso manipular nossas emoções, vão começar a dizer o que a gente deve pensar”, diz Rosini.

Mas para que isso não aconteça, é preciso que as pessoas entendam que as palavras enganam. É preciso saber a hora certa para escutar as palavras corretas. Ou tudo terá um “Diferente Fim”, como sugere o próprio título da canção que fecha o álbum.



Sollado

A banda Sollado foi formada em 2010 dentro dos muros da Universidade Estadual de Maringá, seja em encontros durante as aulas do curso de Agronomia, seja em festivais de bandas independentes e saraus. Também foi lá o primeiro show do grupo, que ainda se chamava Sollado Brazilian Groove, no festival da Universidade, Acorde Universitário.

Nesses sete anos de carreira a Sollado já passou por muitas formações, trocando basicamente bateristas e baixistas. Hoje o grupo é formado por Valter Rosini (vocal), Fernando Morete (violão e vocal), José Augusto (guitarra), Gabriel Moraes (baixo), André Lauer (bateria) e João Paulo (percussão).

Com uma pegada rock e muita influência de música nordestina contemporânea (Eddie, Mundo Livre S/A, Siba, Maciel Salú e tantas outras), o sexteto traz para seu universo o samba, o maracatu, hip-hop, dub, reggae, psicodelia, punk, frevo e tudo mais que as antenas apontadas para as estrelas possam captar.

Com um primeiro disco lançado em 2014, “Para Todos os Efeitos”, o grupo já teve a oportunidade de participar de diversos festivais: Psicodália, Democrático, Marreco e Paraíso do Rock. Além disso, dividiu o palco com bandas como Nação Zumbi, Mato Seco, BNegão e Seletores de Frequência, Mundo Livre S/A, Racionais, Cidade Verde Sounds, Elo da Corrente, CPM 22, Autoramas, Ventania, Maciel Salú.

Mais maduros e celebrando um novo momento, de transformação e celebração, com o disco “Sollado” (2017), os integrantes continuam na incessante procura de novos sons.

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