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Elas: a força da mulher na cultura

08/03/2017 | Texto: Daniela Giannini; Karen Gomes | Foto: Arquivo

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A cultura e as manifestações artísticas estão ligadas diretamente à nossa história social, e é a partir delas que formamos ideias, visões de mundo e construímos grande parte das nossas referências. Sendo assim,  qual é o papel da cultura e da arte no empoderamento feminino?

Para responder essa pergunta, a Circular Pocket conversou com algumas mulheres que são protagonistas da cultura maringaense. Quais são as histórias, as conquistas, os anseios, as realizações e os desafios dessas mulheres? O que as inspira e como elas podem inspirar outras pessoas?

Mais do que discutir a importância da equidade de gêneros e da presença feminina em todas as áreas da sociedade, o “Elas: a força da mulher na cultura” celebra a competência, o talento e a relevância de mulheres que atuam como agentes da cultura e da arte na cidade.

Elisa Riemer, artista gráfica e ativista

Desde cedo, Elisa sempre se identificou com a arte. Os rabiscos eram a forma como ela se reconhecia no mundo, e a habilidade foi apenas aprimorando com o tempo. Hoje, artista gráfica e especializada na arte da colagem, criou o ‘Nosotras Tarot’, no qual repaginou a arte do tarot clássico, por meio de financiamento coletivo na internet. Mudou para maringá há cerca de 13 anos e, desde então, conheceu diversas mulheres que a inspiraram a ser ativa na causa feminista. Todo o seu trabalho é feito com amor e envolvimento social.




“A explosão da arte pra mim veio pelas minhas amigas do movimento feminista (...) Era um movimento muito louco e eu sentia que tava me reconhecendo ali, pela primeira vez. E o que era a arte pra gente? Um instrumento de transformação social. Você entende que aquilo tá realmente fazendo alguma diferença - você não tá fazendo arte pra vender, porque alguém tá te pagando pra isso, você tá fazendo arte como um objeto de transformação social e as pessoas estão se identificando com aquilo!”






Isa Angioletto, fotógrafa

Mãe, fotógrafa, comunicadora e, eventualmente, caça-talentos, Isa Angioletto começou a fotografar aos 16 anos, em campeonatos de skate. Sempre envolvida com a cultura de rua, registrou muitas bandas, saraus e eventos que marcaram a cultura independente da cidade nos últimos anos.




“O mínimo que a gente pode fazer é registrar o que as pessoas estão fazendo. Pela cultura, pelo corre de cada um, porque ser independente a gente sabe que é muito difícil. Então a gente tem que contar a história. (...) Eu acho que a arte é um grito. É o jeito da gente meter a cara e mostrar o que tá acontecendo. Então eu tento, de alguma forma, independente do meu trabalho naquele momento, não propagar uma coisa que eu não vivo”.





Luisa Krauze, MC e professora de danças urbanas

Luisa é MC e faz parte do grupo Manada Crew, um dos principais representantes do rap maringaense atual. Ela sempre cantou e gostou de escrever, e não demorou pra perceber que o rap poderia ser o caminho ideal para unir e colocar em prática essas habilidades. Recém-formada em Comunicação e Multimeios, levou sua vivência no rap pra universidade, onde criou o projeto Emana, uma pesquisa sobre a invisibilidade feminina no mundo do hip hop, que resultou em um EP audiovisual inteiramente produzido por mulheres. Foi a primeira mulher de Maringá a ganhar a ‘Batalha de Quinta’, competição de freestyle que rola toda semana na Vila Olímpica, e vem abrindo espaço para que outras meninas façam seus caminhos no rap também.






“É muito uma questão de confiança, auto-estima mesmo. Nesse mundão que a gente vive, ainda mais sendo mulher, o tempo todo a gente encara a parada do estético, né. De como a gente tem que ser, se portar… Pra mim, a arte é a forma de eu mostrar minha persona, de me identificar e fazer com que as pessoas me conheçam”.






Laura Chaves, atriz e mestre em políticas públicas


Antes de chegar em Maringá, há 20 anos, Laura Chaves enfrentou a família ao sair de casa no interior de Minas Gerais para ir até o Rio de Janeiro estudar teatro. Em 1982 se formou em artes cênicas pela UniRio (Universidade do Rio de Janeiro) - onde além de se descobrir uma amante da arte, passou a entender a importância política da cultura. Começou a carreira profissional no campo das artes como professora de teatro. Em Maringá, trabalhou como Técnicas de Assuntos Culturais da UEM (Universidade Estadual de Maringá) até 2016, quando se aposentou. Dentro da universidade, ocupou o cargo de Diretora de Cultura e elaborou, coordenou e supervisionou diversos projetos culturais, como a Semana de Artes da UEM e o Seminário de Políticas Culturais.




“Os desafios estão sempre ligados na relação com o outro. Tem um desafio que é muito forte e que eu acho que nós estamos longe de alcançar um resultado satisfatório, mas estamos a caminho: é fazer com que essa cidade seja politicamente cultural. Que seja uma cidade onde tenha clareza nas políticas públicas. Pra mim, a questão da discussão da política pública de cultura é fundamental. É dessa forma, com uma cidade que respeita uma política de cultura, que a gente vai poder se relacionar dentro da identidade de cada pessoa.”






Rachel Coelho, jornalista e produtora cultural



Maringaense e jornalista, sempre esteve envolvida na produção cultural com foco específico no universo teatral. Descobriu essa afinidade aos 16 anos, quando era ‘a menina do xerox’ e viu um chamado sobre curso de oficina de teatro. Não pensou duas vezes e se inscreveu, cursando por três anos. Atuando profissionalmente na área de produção há 10 anos, criou o FOCA (Formação e Capacitação de Artistas), projeto de oficinas técnicas, com o intuito de contribuir para mudar o cenário do teatro, fomentando o trabalho de quem tem interesse na área, contribuindo para a formação e capacitação dessas pessoas. Ela também é idealizadora do projeto ‘Só em Cena’, mostra teatral que prioriza solos e monólogos, viabilizando, por meio de editais, a apresentação de peças no interior do Paraná, colaborando para que Maringá seja incluída no circuito do teatro nacional.






“Eu sempre falo para as pessoas com quem eu trabalho que eu não sou artista, embora eu as vezes me veja como artista, mas eu não crio uma peça, não escrevo um livro, não pinto um quadro, não tenho talento artístico assim, mas eu crio projetos - eu tenho uma ideia e, da mesma maneira que o artista se expressa com a arte dele, eu me expresso por meio dos meus projetos”.




 



Rubia Divino, cantora e percussionista

Nascida no Rio de Janeiro, Rubia Divino cresceu rodeada de música. O pai, que era pastor e músico, foi sua principal influência. Aos nove anos, perdeu o pai e teve que se reinventar com a mãe e irmã para que conseguissem se manter. Foi então que se envolveu com a cozinha, emprego que ajuda no seu sustento até hoje. Morou um tempo em Paranavaí, onde fez parte da Orquestra de Sopros e depois veio para Maringá, onde vive atualmente. Como cantora, atua profissionalmente há 8 anos, se apresentando pelos bares da cidade. Conseguiu viabilizar a gravação o seu primeiro álbum, ‘Afro(ntamento)’, e pretende lançar o segundo, com músicas autorais, ainda em 2017.




“Você não é só um artista, você é um agente social. Então não tem como você desatrelar a arte do social, você é um equipamento e esse equipamento precisa funcionar. Como vou fazer arte se não me engajar socialmente? (...) Acho que o papel do artista é mais importante dentro disso, de você falar da realidade social que você vive e, através disso, ser referência para as pessoas”.





 


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